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DNA do solo orienta cultivo em fazenda de café no Sul de Minas

DNA do solo orienta cultivo em fazenda de café no Sul de Minas - Crédito: Gustavo Coetti Existe uma revolução silenciosa acontecendo debaixo dos pés de ca...

DNA do solo orienta cultivo em fazenda de café no Sul de Minas
DNA do solo orienta cultivo em fazenda de café no Sul de Minas (Foto: Reprodução)

DNA do solo orienta cultivo em fazenda de café no Sul de Minas - Crédito: Gustavo Coetti Existe uma revolução silenciosa acontecendo debaixo dos pés de café no Sul de Minas Gerais. Ela não aparece em imagens de satélite nem em gráficos de produtividade. Está no solo. Mais precisamente, nos primeiros 20 centímetros dele. Nas Fazendas Caxambu e Aracaçu, em Três Pontas, a gestão do solo deixou de se basear apenas em análises químicas convencionais. Em parceria com a Biotrop e a Cooxupé, a propriedade realiza análises metagenômicas — um mapeamento do DNA presente no solo que identifica fungos, bactérias e microrganismos responsáveis pela saúde e pela fertilidade da terra. "A gente olhava para o solo e via nutrientes. Agora a gente olha e vê a vida. São coisas radicalmente diferentes", resume Carmem Lucia, a Ucha, responsável pela condução das fazendas. Ciência aplicada ao campo A análise metagenômica é realizada em amostras coletadas na camada superficial do solo, onde se concentra a maior atividade biológica. Esses dados permitem identificar a diversidade e a abundância de microrganismos em cada talhão, orientando decisões estratégicas como a escolha de bioinsumos, o manejo da cobertura vegetal e a definição das espécies utilizadas nas entrelinhas. Os resultados laboratoriais reforçam a eficácia do sistema. A análise foliar comparativa entre diferentes tipos de cobertura evidencia uma complementaridade funcional importante: enquanto o mix de cobertura contribui para a fixação biológica de nitrogênio, áreas com braquiária atuam como reservatórios naturais de potássio. Essa combinação favorece o equilíbrio nutricional da lavoura e reduz a dependência de intervenções externas. “Hoje, quando olhamos para o solo, nossa preocupação não é apenas fornecer nutrientes para a planta, mas sustentar a vida que estrutura esse sistema. Falamos de construir fertilidade biológica, e isso passa, necessariamente, por um manejo mais estratégico da cobertura do solo”, afirma Guy Carvalho, agrônomo responsável pelas fazendas. Os dados, validados por programas interlaboratoriais, confirmam a consistência do perfil nutricional da cobertura viva e sustentam a eficiência do manejo adotado. Entrelinhas vivas nas Fazendas Caxambu e Aracaçu - Crédito: Gustavo Coetti Entrelinhas vivas: o laboratório a céu aberto A fazenda mantém mais de 15 espécies de vegetação espontânea nas entrelinhas e 8 espécies plantadas nos talhões de mix de plantas. Nos talhões em renovação, 14 hectares já estão consolidados com mix nas entrelinhas desde 2025, com 100% de cobertura de braquiária mantida no primeiro trimestre de 2026. Essa cobertura viva não é decorativa. Atua na descompactação do solo, prevenção de erosão, acúmulo de matéria orgânica e regularização microclimática — benefícios que alimentam diretamente o ecossistema microbiológico mapeado pela metagenômica. A segunda medição de massa verde e seca, realizada na fazenda em março de 2026, quantifica o aporte de matéria orgânica e a ciclagem de nutrientes devolvidos ao sistema — indicadores críticos monitorados pela Coordenadoria de Estratégia e Sustentabilidade, sob responsabilidade de Hellen Cristina Silva Gomes, em parceria técnica com a EPAMIG e a Cooxupé. O modelo adotado pelas Fazendas Caxambu e Aracaçu indica um caminho para a cafeicultura brasileira: substituir decisões baseadas em intuição por 2 O DNA do solo: como uma fazenda de café no Sul de Minas usa análise metagenômica para decidir o que plantardecisões baseadas em dados biológicos — e transformar o solo de insumo passivo em ativo estratégico do negócio Sobre as Fazendas Caxambu e Aracaçu Localizadas em Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, as Fazendas Caxambu e Araçaçu são propriedades de um grupo familiar liderado por Carmem Lucia Ucha. Cooperadas da Cooxupé,e contando com a SMC como a mais importante parceria em seu projeto de exportação de cafés especiais, as fazendas combinam tradição cafeeira com um conjunto crescente de práticas regenerativas voltadas à redução de emissões e ao aumento da biodiversidade. Esse cuidado também se reflete na qualidade dos cafés produzidos, reconhecida internacionalmente, com destaque para a conquista do primeiro lugar na categoria Natural no Cup of Excellence 2025, o maior e mais importante concurso global de cafés de excelência, promovido no Brasil pela BSCA. A condução desse padrão de excelência sensorial está sob a responsabilidade de Dionatan Almeida, campeão mundial de Cup Tasters, que lidera o trabalho de avaliação e refinamento sensorial da produção. CONSULTE UM AGRÔNOMO DE CONFIANÇA

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